Algo se move nas profundezas de Khal'Zaroth. Há semanas, viajantes que cruzam as estradas próximas à montanha relatam o mesmo fenômeno: um som baixo, ritmado, vindo de dentro da rocha. Não é o eco do Balrog — esse os anciãos conheceriam pelo cheiro. É um martelo. Muitos martelos. Batendo em compasso, dia e noite, como se algo estivesse sendo forjado nas entranhas do mundo morto. Os mercadores de Lavandur falam em voz baixa, como quem teme atrair o olhar de algo. Dizem que a fumaça que sobe das chaminés esquecidas das forjas do alto não é cinza comum — é negra, oleosa, e quando toca a neve, a neve não derrete: encolhe. A cidade, encurralada entre dois perigos, vive seus piores meses em gerações — à oeste, a Wasteland devora caravanas inteiras como sempre fez, e seus saqueadores tornam cada saída pelo portão um ato de coragem ou desespero. Mas é à leste que algo novo começa a tomar forma. Batedores que se aventuram pelas trilhas da montanha voltam — quando voltam — com relatos estranhos: ferramentas abandonadas ainda mornas, marcas de bota onde nenhum pé deveria pisar há séculos, e, gravado a ferro quente em pedras na beira do caminho, um aviso que ninguém ousa apagar:
Os arquivos reais, finalmente abertos sob coação do conselho, revelam um nome que ninguém pronunciava há gerações — uma linhagem menor de ferreiros, condenada e selada em vida nas vielas mais profundas da montanha por crimes de "sedição e blasfêmia contra a coroa". Os registros estão riscados. As páginas, queimadas pelas bordas. Mas um símbolo permanece, marcado em todas elas: uma bigorna partida ao meio, envolta em cinzas. Eles não morreram lá embaixo. Eles esperaram. E agora, com Khal'Zaroth silenciosa e os antigos selos apodrecidos pela passagem do Balrog, algo subiu das profundezas. Reacendeu as forjas que dormiam há eras. E começou a martelar. Diz-se que o líder traz apenas um olho — e uma lista de nomes que vai muito além daqueles que o sentenciaram. Lavandur pede heróis. Não para guerrear ainda — é cedo demais, e ninguém sabe a verdadeira força do que desperta. Pede investigadores. Espiões. Aventureiros tolos o bastante para subir a trilha esquecida a leste e descobrir o que a Bigorna de Cinzas está forjando lá em cima — e por quê.
Algumas dívidas, dizem os anões, só são pagas em ferro. |
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